Reflexo

O que eu vejo quando me olho no espelho? Essa questão surgiu na minha cabeça esses dias durante uma longa contemplação do meu reflexo no espelho. Tenho um histórico longo de baixa autoestima e aqueles que também convivem com esse sentimento sabem como o espelho pode ser um grande inimigo.

O fato é que hoje eu consigo olhar para esse sentimento e entendê-lo. Sempre tento procurar de onde vem o sentimento, o que me levou a me sentir assim. Ultimamente, venho colocando em dúvida se a pessoa que eu apresento no Instagram é a mesma que sai na rua para comprar pão. Ou se é a mesma que fica deprimida no quarto, ou se é a mesma que comete erros.

Mas aí é que está o caroço. Hoje em dia nós estamos muito mais atrelados ao nosso reflexo na câmera do celular do que a nossa imagem “pura” que o espelho entrega: há filtros, efeitos, máscaras sociais que são colocadas muitos vezes de uma maneira inconsciente por nós mesmos. Nem mesmo o reflexo na margem de um rio transmite para nós uma imagem clara. Na água, qualquer interferência que vier, mesmo de longe, chegará ao nosso reflexo e causará uma mutação, deixará a imagem distorcida. Por vezes, reproduzimos isso com os filtros ou até mesmo pensamentos injustos a respeito de nós mesmos.

Deturpar a nossa própria imagem faz muito mais sentido quando queremos nos moldar à imagem de outra pessoa. A maneira como nos portamos, parece patética em relação àquela que almejamos. Com a terapia, aprendi que a única pessoa com a qual eu devo me comparar é eu mesmo, em outro momento da minha vida. Se quisermos comparar nosso estado atual a alguém, esse alguém deve ser uma versão nossa do passado. Desatualizada. Porque é necessário que encontremos em nós pequenos indícios de evolução. E, acredite, esses indícios estarão lá.

O que fica, acho, é saber que somos pessoas tristes, felizes, sentimos raiva, sentimos vergonha, cometemos erros. Mas ainda é possível encontrar beleza ao se olhar no espelho. Porque certamente a pessoa feliz que mostramos é a que gostaríamos ser o tempo todo. A ideia é ter em mente que nem sempre estaremos felizes, e tá tudo bem.

Felicidade

Dizer que a felicidade é conquistada é algo muito forte. Atualmente alcançar esse estado de espírito carrega um ideal meritocrático errôneo, tudo graças aos coachings , acho eu.

Se consigo me sentir alegre hoje é porque eu travo uma batalha interna enorme. Com a terapia, aprendi a validar minhas pequenas vitórias. Meu histórico sentimental é repleto de auto sabotagem e pensamentos que colocavam limites às minhas capacidades.

Se hoje eu digo que estou feliz é porque batalho constantemente para isso. Nessa guerra eu não venço todas as batalhas. E não tem problema nisso. Abraçar a tristeza faz parte do caminho, precisamos sentir nossos sentimentos. É preciso dar nome aos bois e compreender os fatores que nos levaram a sentir tal coisa. A partir dessa reflexão podemos tomar decisões e ações para melhorar, evoluir.

Um dos meus maiores inimigos é a vontade constante de desistir. Quero desistir de escrever, desistir da minha graduação. Desistir de ser feliz. Deus, manter a felicidade é algo árduo! Mas não podemos desistir. Não é possível ser feliz o tempo todo, mas ser feliz apesar disso é o caminho saudável.

Apreciar nossos momentos de felicidade é muito importante. Só depois de muita terapia aprendi a validar esses momentos e aproveitá-los, ao contrário de descartar a felicidade como algo inapropriado para uma existência como a minha. Erro cruel.

A minha felicidade não foi conquistada. É algo que eu construo todo dia, a todo momento. Só eu posso colocar os tijolos para construir esse castelo frágil, mas que com o devido cuidado pode resistir às tempestades da vida.

O que vem por aí?

Conversa sincera

Os últimos três dias eu me dediquei a mostrar um pouquinho do que eu escrevi no e-book Contos do isolamento. Esse pequeno projeto me proporcionou sentir coisas que eu havia bloqueado. Voltei a me sentir útil e capaz de fazer as coisas. Passei muito tempo pensando que eu não conseguiria realizar metade dos meus sonhos por simplesmente não ser capaz ou porque meus sonhos eram impossíveis demais.

Graças à terapia, venho trabalhando esses sentimentos de uma forma bastante produtiva. Parei de gastar minha energia em preocupações e ações de auto sabotagem e passei a depositar essa energia em coisas produtivas. Como este blog e o e-book.

Foi realmente muito gratificante ter colocado meus textos para o pequeno público que o baixou. É um pequeno começo para meus projeto literários que há muito tempo eu tinha abandonado por não me achar capaz. Eu sou muito grato a todos, de verdade.

Próximo e-book

Contos do isolamento me deu o incentivo que faltava para mexer em outras histórias minhas que eu vinha escrevendo já há bastante tempo. Estou trabalhando numa pequena história chamada O universo atrás da parede. Com essa pequena experiência que Contos do isolamento me proporcionou, pretendo fazer uma divulgação melhor e investir um pouquinho mais, como na produção de uma capa feita por um profissional. Nas próximas semanas, pretendo publicar com menor frequência, mas trazer outros assuntos, como dicas sobre escrita criativa e compartilhar um pouquinho do meu conhecimento com vocês. Para isso, vou estudar mais sobre e-books e tentar trazer coisas interessantes, livros gratuitos na plataforma Kindle e assim por diante. Espero contribuir para esse seguimento não só com minhas histórias, mas também com as publicações aqui.

Tenho pelo menos três histórias, juntamente com O universo atrás da parede, que pretendo lançar como e-book. Mais tarde, vou colocar em prática um livro que tenho pensado há bastante tempo em publicar. Finalmente eu descobri um meio para isso e pretendo aproveitar ao máximo os recursos e ferramentas gratuitas da Amazon.

Entrelaçados

Esse é diferente. Ao contrário dos outros contos, esse eu escrevi há muito tempo. Mas o isolamento deu a ele a atenção devida e eu consegui cultivá-lo com carinho.

Os minutos iam passando e minha vergonha ia indo junto, e cada gole roubado parecia mais do que era. Pedi para minha amiga ver se ele gostava ou não de garotos e se eu tinha alguma chance. Depois de mais alguns goles e mais alguns minutos, as pessoas foram indo embora, a banda parou com o rock comprido e eu já fechava a última mesa. Os goles já não roubados se tornaram maiores e pareciam menos do que realmente eram;

Entrelaçados.

É preciso mencionar que o grande impulso para revisão (por mim mesmo) foi a atenção que Sigiloso & Discreto recebeu do pessoal da Quinta História quando ele foi parar no Quintal dos Autores.

Depois desse incentivo, fui ver os meus textos antigos e que estavam salvos. No meio da poeira encontrei Entrelaçados. De fato, eu já fiz uns freelas em um boteco quando ainda morava em Candelária. Sempre recebi em cerveja e hambúrguer, uma troca excelente para quando eu chegava lá depois das aulas da faculdade: descia do ônibus e ia direto para o boteco. A parada de ônibus na qual eu descia era na esquina. Foram alguns meses bem interessantes por lá e tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas interessantes que guardo até hoje na minha memória.

Como tudo que faço é por minha conta, já que não tenho dinheiro para investir, eu mesmo tenho de revisar meus textos. Mas faço questão de mandá-los para alguns amigos com a intenção de ouvir uma opinião de fora. Com Entrelaçados não foi diferente.

Devo dizer que o período dos dois anos desde que havia escrito ajudou a melhorar grande parte do texto. Pretendo fazer uma publicação sobre minhas inspirações e algumas dicas sobre escrita criativa, então vou salvar esse tópico para o futuro.

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Rotina

Seguindo com a nova talvez rotina de publicações do blog, gostaria de apresentar a vocês o segundo conto que compõe o E-book Contos dos isolamento.

Até que um dia ele perdeu sua rotina. Foi roubada. Tirada de suas manhãs. Não tinha mais cachorrinho no ipê amarelo, sem chimarrão depois do almoço na escola e também restaurantes estavam proibidos. Nunca quisera tanto ter de enfiar o dedão em um leitor vermelho grudado na parede. Os despertadores perderam o sentido. Não podia mais sair de casa. Tudo que precisava era uma caminhada no parque, mas era proibido.

Rotina.

Esse conto serviu para mim como um desabafo depois de passar alguns dias pensando sobre o que estava acontecendo naqueles primeiros meses de incertezas que a pandemia trouxe.

Como muitas pessoas, eu me senti atordoado no início da pandemia, mas sempre tentei levar as coisas com um otimismo que depois de um tempo começou a me parecer uma hipocrisia sem fim. Depois de um ano completado desde o registo do primeiro caso de Covid-19 no Brasil eu percebi que as coisas vão demorar muito para melhorar por aqui. É uma triste realidade, mas o negacionismo não é o caminho.

Também é preciso dar nome ao culpado pelo que estamos vivendo no país: Jair Messias Bolsonaro. Podemos ainda gerenciar essa culpa a milhares de pessoas que não respeitam o distanciamento social ou que contribuem para as mentiras estratégicas do presidente, mas isso diminui a culpa de Bolsonaro.

Atualmente o Brasil vem enfrentando uma triste situação gerada pela falta de noção de muitas pessoas e a total falta de organização do governo. Lockdown no Brasil não parece ser uma opção para o presidente que insiste em colocar milhares de vidas em risco. Em 2020 eu estava empregado e fiquei o tempo que foi possível em isolamento. Daí comecei este blog. Atualmente eu estou desempregado e voltei à rotina de isolamento em casa, mas dessa vez por conta do desemprego. A partir daí tento todas as semanas uma rotina que me ajude a manter minhas obrigações mais básicas organizadas, como a graduação em Letras. Tento permanecer o maior tempo possível sem sair de casa, fazendo somente quando o necessário, como ir ao mercado. Única atividade que não se enquadra no quesito essencial é sair para correr, mas sempre de máscara. Essa é a única atividade física que faço do lado de fora. Abdiquei de frequentar a academia e agora faço exercícios em casa com o auxílio de um aplicativo.

Perder o emprego esse ano foi um verdadeiro golpe que me desestabilizou por um breve momento. Mas com o auxílio deste blog e minhas histórias eu tenho um pequeno motivo de esperança e algo para me apoiar nos dias de ansiedade.

Primeiro conto do E-book

Sigiloso & Discreto

Quem não é novo por aqui vai lembrar de uma época em que participei de um projeto lindo chamado Quintal dos Autores (link no final da publicação) no qual tive o imenso prazer de compartilhar esse conto. Para esse projeto, esse conto recebeu todo o amor e carinho que alguém pode ter na hora de montar uma história. Impecavelmente revisado e comentado pelos idealizadores do projeto, Sigiloso & Discreto foi meu primeiro conto “profissional”.

Ser reconhecido é sem dúvidas o melhor incentivo para qualquer artista. Sabemos que no Brasil a arte não é valorizada como deveria. Uma tristeza que já aprendi a lidar. Quando fui convidado para participar desse projeto, Sigiloso & Discreto era apenas um embrião em formato de documento do Word. A pedra bruta estava lá, mas foi lapidada até ficar do jeitinho que está.

Pensei que dele eu conseguiria arrancar uma conversa antes ou depois, ou antes e depois. Pensei que aquele olhar perdido pudesse encontrar algo, ou que aqueles traços leves pudessem me contar uma história. Ele era realmente um homem muito bonito.

Sigiloso & Discreto.

Vez ou outra eu mudo algumas coisas, aliso, faço um carinho. É impossível não alterar nada depois de meses e meses lendo esporadicamente. Mantenho uma versão “original” depois de revisada para ser publicada no site do projeto apenas por garantia, caso eu acabe mexendo demais no coitadinho.

Links da publicação

Sigiloso & Discreto está disponível no E-book Contos do isolamento!

Link para o quintal: https://www.quintahistoria.com.br/quintal-dos-autores

Contos do isolamento

Destaque

Por onde andei?

Este pequnito blog andou abandonado por muito tempo, é verdade. Ainda que ele esteja entregue às traças e em cada canto haja teias de aranha, nunca o esqueci. Acho que a inconstância é minha maior maldição. Certamente durante meus raros momentos de intensa criatividade e inspiração surgem inúmeros projetos a serem escritos. Mas agora as coisas talvez sejam um pouco diferentes. Assim espero, pelo menos.

A conversa sincera entre este que escreve e você aí que lê sempre ocorreu. Embora eu não saiba quem são as poucas pessoas que perdem tempo com minhas investidas artísticas, eu sou muito grato. Não ser um profissional implica que eu não devo corresponder demandas, ainda que isso possa ser decepcionante para qualquer um que se dispõe a acompanhar um blog ou qualquer outro canal de conteúdo virtual. Mas para esse problema, acho que encontrei uma solução.

E-book

É com grande satisfação que anuncio a criação do meu pequeno E-book intitulado “Contos do isolamento“. É um pequeno projeto de teste, digamos assim, para eu ver como é ser um autor independente usando a plataforma Kindle Direct Publishing, da Amazon, que permite a criação e publicação de E-books sem custos de, inclusive, livros físicos. Não vou entrar aqui no mérito da plataforma e seus rendimentos, já que incialmente não pretendo adquirir grandes lucros com os E-books.

Mas eis o que pretendo fazer. Contos do isolamento é uma reunião de cinco pequenos contos que eu escrevi e cultivei durante o período em que estive de isolamento no início da pandemia do novo coronavírus. Somente este mês me senti preparado para expor meus textinhos assim dessa maneira tão dramaticamente pública. O preço do E-book ficou em onze reais, infelizmente caríssimo levando em consideração sua extensão: 11 páginas. Mas esse detalhe não foi decisão minha. Ele também ficará disponível para os usuários do Kindle Unlimited por bastante tempo, assim, ao menos, ele sai de graça para uma grande quantidade de pessoas.

Junto com Contos do isolamento, pretendo fomentar este blog o mínimo que conseguir. Jamais serei capaz de prometer o máximo, pelo menos não por enquanto. Escrever sempre me ajudou a manter a cabeça no lugar, seja no caderno, seja na internet. Minha grande vontade é trocar ideias com qualquer pessoa que se disponha a ler os contos, por isso vou deixar aqui minha conta no Instagram, onde esperarei ansioso qualquer um, ou uma, que tenha vontade em expressar o que sentiu a ler um conto meu.

Links da publicação

User: @edcezzzzar

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Uso defensivo

Nunca imaginei que estaria separando um espaço na minha gaveta de meias para a pilha de máscaras que acumulei nas últimas semanas. Elas são inúmeras, mais do que uma para os dias da semana. Suas estampas são as mais variadas. Vêm de diversas fontes, desde uma comprada na farmácia até aquelas confeccionadas pela minha tia, que é costureira. Mas elas compartilham um único propósito: a proteção contra o coronavírus.

Porém isso não impede que a máscara vire um adereço fashion, ganhando a cor e vida características do povo brasileiro. As estampas podem variar asim como as texturas. Estampas lisas e diferentes tipos de elásticos também entram na jogada. Algumas mais confortáveis do que outras, até mesmo podendo variar em nível de proteção. Mas as máscaras tem um fato fundamental que podem definir definitivamente a eficácia da proteção: o modo de usar.

Assim como no trânsito. Sim, porque os carros não andam sozinhos por aí. A mão humana atrás do voltante é o que decide se o carro irá promover um agradável passeio ao parque ou se ele será uma arma mortífera. Na autoescola, aprendemos que a maneira correta de dirigir é aquela na qual o motorista pratica a direção defensiva, cuidando não só de sua vida, como também de outros motoristas e pedestres.

Claro, de nada adiantaria comprar um carro super seguro, com air bags e rodas de liga leve para sair por aí atropelando todo mundo. Também não há motivos para ter um carro do ano simplesmente para não respeitar sinalização de trânsito alguma. Assim como não adianta nada ostentar uma máscara de tecido caro, bordada e combinando com o outfit sendo que o nariz está para fora. Ou mesmo uma máscara mais simples, mas ficar retirando a qualquer momento para falar ou “dar uma respiradinha”. Também é necessário trocar de máscara durante o dia a dia, porque ela perde o efeito de proteção ao ficar úmida. São pequenas ações que podem salvar vidas.

Se não podemos ficar em isolamento social, que tenhamos o mínimo de respeito pelos outros ao utilizar as máscaras de forma correta. Assim como no trânsito, nós carregamos uma tremenda responsabilidade. A segurança de outras pessoas depende de nós, assim como nós dependemos dos outros para manter nossa saúde em segurança.

Tudo tem limite

Há muitos anos, uma grande amiga minha compartilhou comigo um vídeo da Regina Duarte postado pela TV Caras no YouTube. À época, demos boas risadas. No vídeo, Regina dançava de uma maneira mais do que bizarra ao som de uma melodia no mínimo entediante no Castelo da Caras, em Nova York. “Não resisti, fui lá e dancei”, uma das frases ditas pela atriz durante o vídeo que ficou imortalizada nas rodas de deboche por nós.

Mas os últimos acontecimentos envolvendo a atriz não causam nenhum entretimento, no máximo um deboche triste da realidade na qual vivemos. Suas opiniões públicas a respeito da política brasileira já eram suficientes para causar um certo nível de incômodo e asco, mas desde que Regina Duarte largou seu contrato com a Globo para escalar cargos no governo Bolsonaro, ela não deu uma dentro, mesmo.

Em entrevista recente à CNN, Regina Duarte deu um show de horrores. Ao ver a mensagem lúcida da colega de profissão, Maitê Proença, Regina deu um chilique digno de qualquer bolsonarista ofendido. Tirou o microfone para não ouvir as palavras de Maitê, esperneou e provavelmente gritou – felizmente o áudio de Duarte estava desligado.

Em vídeo, Maitê cobrou da Secretaria Especial de Cultura e do governo Bolsonaro um posicionamento a respeito das dificuldades que a classe teatral tem enfrentado com a pandemia. Isso foi o suficiente para Regina Duarte agir como uma criança, assim como a maioria dos aliados de Bolsonaro. Até aqui não há surpresas.

Poderíamos ter ficado apenas com a reação infantil da secretária especial, mas Regina Duarte foi além. Saudou o Regime Militar, cantando a marchinha “Pra Frente Brasil”, minimizou não só as mortes pelas mãos dos torturadores, como fez alusão aos massacres de Stalin, Hitler, como se ceifar a vida de pessoas fosse algo assim, natural. Era isso que alegava, quando falava em “se você falar vida, do lado tem morte”. Assassinatos não são naturais. Mortes por descaso do governo não são naturais. Nesse momento, eu tive pena do repórter, Daniel Adjuto, que teve de testemunhar pessoalmente tamanha falta de caráter.

Vou deixar o link da entrevista na íntegra no final da publicação. Se você quiser ir direto para a parte citada, comece aos 21 minutos. Avance para o fim e veja o chilique, também.

Não conseguir ouvir opiniões contrárias às suas sem dar chilique não chega a ser crime, apenas mostra o mau cartismo mesmo. Mas isso podemos deixar passar. O que não podemos é banalizar o saudosismo pela Ditadura Militar de personalidades conhecidas, que dão palco e apoio a ideias antidemocráticas. Tudo tem limite. Regina Duarte, como integrante do Governo, deve explicações a sua fala. Sua postura antidemocrática também deve ser analisada sob um viés judicial, já que é uma figura pública e, afinal, ocupa um cargo público. Não podemos deixar que certos ideais sejam banalizados. Ditadura nunca mais.

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Del Prado

O frio está aí. As temperaturas começaram a baixar e as propagandas e cartilhas de vinho na Zero Hora já começaram a aparecer. Ontem, inclusive, me peguei namorando garrafas de vinho no supermercado. A questão que fica é: existe gente que sabe escolher vinho com método científico? E por método científico eu quero dizer entender o mínimo sobre essa bebida. Aqui excluem-se os e as sommeliers e qualquer pessoa que tenha a sua disposição uma adega em casa.

Toda vez que me disponho a estudar teoricamente os vinhos eu percebo que nada sei a respeito. Quando me dou por convencido de que não terei dúvidas ao escolher uma boa garrafa de vinho sempre há uma variação que me desespera. Quando entendi a diferença entre vinho tinto, vinho de mesa e vinho suave e seco, eu encontrei e extensa lista de uvas e combinações. Cabernet? Merlot? Pinot Noir? Nomes de desespero, na verdade. Tudo era mais fácil na ignorância. Como é na faceta política da vida – algumas pessoas escolhem a ignorância porque é mais conveniente.

E não sei também se existe algum método para a disposição dos vinhos nas estantes. Se seguir da direita para esquerda no bloco de cada marca, encontrará apenas os secos? De cima para baixo: Cabernets, Merlots e assim por diante? Não. São centenas de garrafas expostas com o único intuito de confundir o coitado ou coitada que se dispõe a querer tentar escolher um vinho, só para ter uma experiência diferenciada.

Aqui não vou entrar no mérito dos preços. Aquele que direciona seu olhar aos vinhos em garrafas de vidro já tem um compromisso com futuras fisgadas e facadinhas. O que me incomoda mesmo é o não saber.

O processo de escolha é um caos. Pego uma garrafa, leio todo o rótulo: Cabernet Sauvignon, vinho fino tinto meio seco. E tem como ser meio seco? Deus, me ajude. Ando com ela até achar uma semelhante de outra marca e, consequentemente, de valor diferenciado. Às vezes não se contra, existem filhos únicos em rótulos de vinho também. Volto com a garrafa e pego outra. Fico olhando para as duas garrafas. Uma só pode ser aberta com saca-rolhas, digo adeus. Não, não tenho um quadro de vidro pendurado na parede para ser preenchido com rolhas.

E, meu Deus, ninguém admite que não entende de vinho. Um homem se aproxima da minha batalha e, ao perceber o que se passava entre mim e as garrafas, pega um vinho aleatório para, então, munido de toda a certeza do mundo bradar:

— Essa safra foi a melhor!

Completamente perdido entre um Garibaldi e um Marcus James, os olhos já indicam as lágrimas. Humilhado pela intelectualidade, meus olhos descem para encontrar a salvação: ali, embaixo, uma garrafa de Del Prado suave 1,5l. Esse eu conheço de longa data. Coloco a garrafa de plástico no carrinho e sigo meu caminho rumo à felicidade.