Del Prado

O frio está aí. As temperaturas começaram a baixar e as propagandas e cartilhas de vinho na Zero Hora já começaram a aparecer. Ontem, inclusive, me peguei namorando garrafas de vinho no supermercado. A questão que fica é: existe gente que sabe escolher vinho com método científico? E por método científico eu quero dizer entender o mínimo sobre essa bebida. Aqui excluem-se os e as sommeliers e qualquer pessoa que tenha a sua disposição uma adega em casa.

Toda vez que me disponho a estudar teoricamente os vinhos eu percebo que nada sei a respeito. Quando me dou por convencido de que não terei dúvidas ao escolher uma boa garrafa de vinho sempre há uma variação que me desespera. Quando entendi a diferença entre vinho tinto, vinho de mesa e vinho suave e seco, eu encontrei e extensa lista de uvas e combinações. Cabernet? Merlot? Pinot Noir? Nomes de desespero, na verdade. Tudo era mais fácil na ignorância. Como é na faceta política da vida – algumas pessoas escolhem a ignorância porque é mais conveniente.

E não sei também se existe algum método para a disposição dos vinhos nas estantes. Se seguir da direita para esquerda no bloco de cada marca, encontrará apenas os secos? De cima para baixo: Cabernets, Merlots e assim por diante? Não. São centenas de garrafas expostas com o único intuito de confundir o coitado ou coitada que se dispõe a querer tentar escolher um vinho, só para ter uma experiência diferenciada.

Aqui não vou entrar no mérito dos preços. Aquele que direciona seu olhar aos vinhos em garrafas de vidro já tem um compromisso com futuras fisgadas e facadinhas. O que me incomoda mesmo é o não saber.

O processo de escolha é um caos. Pego uma garrafa, leio todo o rótulo: Cabernet Sauvignon, vinho fino tinto meio seco. E tem como ser meio seco? Deus, me ajude. Ando com ela até achar uma semelhante de outra marca e, consequentemente, de valor diferenciado. Às vezes não se contra, existem filhos únicos em rótulos de vinho também. Volto com a garrafa e pego outra. Fico olhando para as duas garrafas. Uma só pode ser aberta com saca-rolhas, digo adeus. Não, não tenho um quadro de vidro pendurado na parede para ser preenchido com rolhas.

E, meu Deus, ninguém admite que não entende de vinho. Um homem se aproxima da minha batalha e, ao perceber o que se passava entre mim e as garrafas, pega um vinho aleatório para, então, munido de toda a certeza do mundo bradar:

— Essa safra foi a melhor!

Completamente perdido entre um Garibaldi e um Marcus James, os olhos já indicam as lágrimas. Humilhado pela intelectualidade, meus olhos descem para encontrar a salvação: ali, embaixo, uma garrafa de Del Prado suave 1,5l. Esse eu conheço de longa data. Coloco a garrafa de plástico no carrinho e sigo meu caminho rumo à felicidade.

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