Uma playlist para começar a semana

Destaque

Essa playlist é para quem gosta de Rock! Bom, semana passada eu fiz uma publicação sobre a banda Greta Van Fleet, mas ficou faltando uma playlist. Para iniciar bem a semana resolvi colocar, além das músicas que citei no post, as músicas de outra banda que eu gosto bastante: Nothing But Thieves. A proposta das bandas são diferentes, mas acho que se pode encontrar um meio de juntá-las. Eu as colocaria no balaio das bandas da nova geração da música, Nothing But Thieves vem com a face alternativa, trazendo referências de Radiohead e Blur, enquanto Greta Van Fleet fica com o lado do rock clássico, bebendo na fonte de bandas como Led Zeppelin.

Um pouquinho sobre Nothing But Thieves

Essa banda foi apresentada a mim por uma amiga muito querida, então ela tem um lugar na minha playlist. Mas um fator muito importante fez com que eu decidisse colocá-la aqui: a qualidade. A banda conta com um vocalista potente e exímios músicos no comando dos instrumentos. Além disso, as músicas são bem ecléticas: têm uma letra profunda, batidas interessantes tanto para quem quer alguma coisa mais calma e para quem quer pular e balançar a cabeça ao som da música (gritando, é claro).

Playlist!

Espero que gostem ❤

Poesia para o domingo

Oi, gente, tudo bem? Só pra não passar o feriado sem publicar nada, vou deixar aqui algumas poesias de duas pessoas muito especiais: Elisa Lucinda e Manuel Bandeira

Comum de dois

A palavra é a roupa do sentido

a imagem da veste

a veste da imagem

O dia que vejo

é essa fotografia

que meu olho empalhou

que minha língua embalsamou

no Egito da caneta

capeta, meu verso é teimoso

e faz click

apreendo o tempo

prendo-o na palavra

na cadeia de cristal

das sílabas

o poema é um gênio comum

fotógrafo e poeta

comum de dois gênios

(Lisboa, janeiro de 1989)

Elisa Lucinda

Canção das duas índias

Entre estas Índias de leste

E as Índias ocidentais

Meu Deus que distância enorme

Quantos Oceanos Pacíficos

Quantos bancos de corais

Quantas frias latitudes!

Ilhas que a tormenta arrasa

Que os terremotos subvertem

Desoladas Marambaias

Sirtes sereias Medéias

Púbis a não poder mais

Altos como a estrela-d’alva

Longínquos como Oceanias

– Brancas, sobrenaturais –

Oh inaccessíveis praias!…

Manuel Bandeira

Trajeto

Hoje não sentei do lado do ônibus que dá pra ver a Lua. Apenas a vejo quando o ônibus faz o contorno de um trevo ou quando vai um pouco pro lado. Ela está bem em cima de nós, não dá pra ver. Do lado de lá também é assim durante o percurso, mas quando estamos chegando eu consigo enxergá-la, porque o ônibus faz uma curva. A Lua é o sinal de que estamos chegando em casa. Hoje eu não a verei. Tudo que vejo daqui são luzes, das casas, de uma fábrica. Tudo que passa pela minha cabeça são meus textos, que nunca sei se são uma crônica ou um conto, vai ver é por isso que não são bons. Hoje eu não verei a Lua. Se eu colocar a cabeça um pouco pro lado consigo avistá-la, mas é incômodo, sabe, ficar com a cabeça assim pro lado. Machuca. É como tentar olhar pro lado pra não te ver, é incômodo, mas necessário. A Lua está bem fininha, minguante eu imagino que seja. Mas minguante está mesmo é meu carinho por ti, que se vai, vai indo, aos poucos ele se some. Se consome. Eu vou seguir aqui, quem sabe eu coloco meus fones de ouvido para escutar um pouco de Beethoven, acho que Moonlight Sonata cai bem agora. Quem sabe eu durma. Já que não verei a Lua hoje não preciso esperá-la para chegar em casa.

Feliz aniversário

Tenho certeza que não haverá diferença entre este e qualquer outro dia. Concordo que haverá momentos de alegria quando um ou outro abraço sincero vier me parabenizar, mas não fugirá muito disso. Completo vinte anos, jovem, petulante e inexperiente, muito. Essa é a idade dos românticos desvairados, da lira dos vinte anos. A perspectiva me assusta. Também é da crise, que, a cada ano que passa chega uma década antes. Não sei se me encontro nela, mas há coisas diferentes. Neste dia eu gostaria de compartilhar com vocês uma crônica que muito me marcou e que muito ainda marcará. Com ela vem um poema que também é marcante.

Já tive tipos variados de comemorações, mas é assim que eu gostaria que fosse meu último aniversário. Sabe-se lá quando. Espero que demore bastante.

A última crônica

Fernando Sabino

A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, do coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu queria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás da cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando o imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntas, discretos: “Parabéns a você, parabéns a você…” Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao ombro. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

O último poema

Assim eu quereria o meu último poema

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais

Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas

Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume

A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos

A paixão dos suicidas que se matam sem explicação

Manuel Bandeira

Por hoje é isto.

Jovem é preso com cinquenta gramas de petismo no bolso

Vômitos Apaixonados

Caminho todos os dias pelos mesmos lugares, no melhor estilo pretinho básico: acordar-ponto-de-ônibus-ônibus-terminal-ônibus-trabalho-ponto-de-ônibus-ônibus-terminal-ônibus-finalmente-casa, sempre as mesmas calçadas, as mesmas pessoas, nos ônibus mudam alguns dos rostos mas os papos continuam os mesmos de ônibus, sobre a vizinha que fez sei lá o quê, uma outra no trabalho que acorda cedo só pra infernizar, o sem-vergonha puxa-saco de chefe, o jogo do Corinhians, salve o Corinthians, histórias que a boca conta pra esquecer que o dia será longo. No trabalho o mesmo calor de sempre, os ventiladores de enfeite girando em câmera-lenta, o dono da empresa que só aparece uma vez no mês e que quando dá as caras tem como hobby preferido procurar defeito, pensa num homem que adora um defeito um errinho, quando encontra é uma alegria, fala fala enche o saco daí sai pra almoçar. Trabalho numa distribuidora, os clientes de lá são, na maioria, o…

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A nova onda do Rock: Greta Van Fleet

Não faz muito tempo, eu me vi em uma situação interna. Como de costume, eu caminhava com fones de ouvido quando uma música começou a tocar no aleatório do Spotify. Eu conhecia aquela música, como não? Era de uma das minhas bandas favoritas: Led Zeppelin. Mas não demorou muito para eu lembrar que, recentemente, havia uma banda fazendo sucesso: Greta Van Feet. A música da qual me refiro é “Safari song”. Ouça e tire suas próprias conclusões, mas é inegável a influência de Led Zeppelin, ainda que a banda tenha uma boa base autoral e conceito próprio, “When the curtain falls” é um exemplo disso. Já passou a fase das afirmações arrogantes dizendo que a banda apenas copiou o Led, muitos já reconhecem o talento dos garotos de Michigan.

 

Greta Van Fleet, por
ALYSSE GAFKJEN
Rollin Stone

Josh, Jake e Samuel Kiszka e Daniel Wagner. Esses são os quatro integrantes da banda. O vocal poderoso fica a cargo de Josh, enquanto seu irmão gêmeo faz milagres com a guitarra. Samuel assume o baixo e eventualmente os teclados, enquanto Daniel domina a bateria com maestria. Os jovens estadunidenses vêm de uma cidadezinha com quase 5 mil habitantes, Frankenmuth, no Michigan.

É fácil notar as influências do Rock Clássico, incluindo as performances de Josh e as vestimentas da banda toda, muito longe do que estamos acostumados a ver atualmente no figurino das bandas. Greta bebe da fonte dos originais, trazendo uma nova perspectiva mas os fãs do bom e velho rock n roll.

A banda tem dois EP’s, “Black smoke rising” (2016) e “From te fires” (2017). Ano passado lançaram seu único álbum “Anthem of the peaceful army”, com onze faixas. O primeiro EP introduz as consagradas “Highway tune”, “Black smoke rising” e “Flower power”. “From the fires” conta com mais cinco faixas, das quais eu destacaria “Edge of darkness”.

Indicação da semana

Oi, gente, tudo bem? Seguindo a linha do que eu tinha planejado, hoje pensei em colocar aqui uma indicação de livro. Cada indicação terá uma publicação mais detalhada ao decorrer do mês, então pretendo voltar com esse livro logo. Se alguém já leu e quiser deixar um comentário eu ficaria muito feliz.

O sol se põe em São Paulo

Fonte: Google Imagens
Capa do livro

Saindo de um restaurante do bairro Liberdade no fim da noite, nosso narrador se vê diante de uma proposta indecorosa. Narrar a história daquela senhora japonesa e ao mesmo tempo tentar compreender sua própria história. Cabe ao leitor investigar entre o Japão da Segunda Guerra e a São Paulo dos dias de hoje algo na narrativa que faça a conexão entre o narrador e o triângulo amoroso japonês do século passado: um ator de kyogen, uma moça de boa família e um rapaz simples filho de industriais. O livro exige um trabalho intenso por parte do leitor, colocando-o em evidência. Há muitas camadas que devem ser analisadas, então eu recomendo não apenas uma única leitura, porque este é um livro para se debruçar e se permitir ser transportado pelo tempo e pelos espaços urbanos.
Seria um crime contra a humanidade ler este livro sem investigá-lo, além de uma perspectiva simplista.