Entrelaçados

Esse é diferente. Ao contrário dos outros contos, esse eu escrevi há muito tempo. Mas o isolamento deu a ele a atenção devida e eu consegui cultivá-lo com carinho.

Os minutos iam passando e minha vergonha ia indo junto, e cada gole roubado parecia mais do que era. Pedi para minha amiga ver se ele gostava ou não de garotos e se eu tinha alguma chance. Depois de mais alguns goles e mais alguns minutos, as pessoas foram indo embora, a banda parou com o rock comprido e eu já fechava a última mesa. Os goles já não roubados se tornaram maiores e pareciam menos do que realmente eram;

Entrelaçados.

É preciso mencionar que o grande impulso para revisão (por mim mesmo) foi a atenção que Sigiloso & Discreto recebeu do pessoal da Quinta História quando ele foi parar no Quintal dos Autores.

Depois desse incentivo, fui ver os meus textos antigos e que estavam salvos. No meio da poeira encontrei Entrelaçados. De fato, eu já fiz uns freelas em um boteco quando ainda morava em Candelária. Sempre recebi em cerveja e hambúrguer, uma troca excelente para quando eu chegava lá depois das aulas da faculdade: descia do ônibus e ia direto para o boteco. A parada de ônibus na qual eu descia era na esquina. Foram alguns meses bem interessantes por lá e tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas interessantes que guardo até hoje na minha memória.

Como tudo que faço é por minha conta, já que não tenho dinheiro para investir, eu mesmo tenho de revisar meus textos. Mas faço questão de mandá-los para alguns amigos com a intenção de ouvir uma opinião de fora. Com Entrelaçados não foi diferente.

Devo dizer que o período dos dois anos desde que havia escrito ajudou a melhorar grande parte do texto. Pretendo fazer uma publicação sobre minhas inspirações e algumas dicas sobre escrita criativa, então vou salvar esse tópico para o futuro.

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Rotina

Seguindo com a nova talvez rotina de publicações do blog, gostaria de apresentar a vocês o segundo conto que compõe o E-book Contos dos isolamento.

Até que um dia ele perdeu sua rotina. Foi roubada. Tirada de suas manhãs. Não tinha mais cachorrinho no ipê amarelo, sem chimarrão depois do almoço na escola e também restaurantes estavam proibidos. Nunca quisera tanto ter de enfiar o dedão em um leitor vermelho grudado na parede. Os despertadores perderam o sentido. Não podia mais sair de casa. Tudo que precisava era uma caminhada no parque, mas era proibido.

Rotina.

Esse conto serviu para mim como um desabafo depois de passar alguns dias pensando sobre o que estava acontecendo naqueles primeiros meses de incertezas que a pandemia trouxe.

Como muitas pessoas, eu me senti atordoado no início da pandemia, mas sempre tentei levar as coisas com um otimismo que depois de um tempo começou a me parecer uma hipocrisia sem fim. Depois de um ano completado desde o registo do primeiro caso de Covid-19 no Brasil eu percebi que as coisas vão demorar muito para melhorar por aqui. É uma triste realidade, mas o negacionismo não é o caminho.

Também é preciso dar nome ao culpado pelo que estamos vivendo no país: Jair Messias Bolsonaro. Podemos ainda gerenciar essa culpa a milhares de pessoas que não respeitam o distanciamento social ou que contribuem para as mentiras estratégicas do presidente, mas isso diminui a culpa de Bolsonaro.

Atualmente o Brasil vem enfrentando uma triste situação gerada pela falta de noção de muitas pessoas e a total falta de organização do governo. Lockdown no Brasil não parece ser uma opção para o presidente que insiste em colocar milhares de vidas em risco. Em 2020 eu estava empregado e fiquei o tempo que foi possível em isolamento. Daí comecei este blog. Atualmente eu estou desempregado e voltei à rotina de isolamento em casa, mas dessa vez por conta do desemprego. A partir daí tento todas as semanas uma rotina que me ajude a manter minhas obrigações mais básicas organizadas, como a graduação em Letras. Tento permanecer o maior tempo possível sem sair de casa, fazendo somente quando o necessário, como ir ao mercado. Única atividade que não se enquadra no quesito essencial é sair para correr, mas sempre de máscara. Essa é a única atividade física que faço do lado de fora. Abdiquei de frequentar a academia e agora faço exercícios em casa com o auxílio de um aplicativo.

Perder o emprego esse ano foi um verdadeiro golpe que me desestabilizou por um breve momento. Mas com o auxílio deste blog e minhas histórias eu tenho um pequeno motivo de esperança e algo para me apoiar nos dias de ansiedade.

Primeiro conto do E-book

Sigiloso & Discreto

Quem não é novo por aqui vai lembrar de uma época em que participei de um projeto lindo chamado Quintal dos Autores (link no final da publicação) no qual tive o imenso prazer de compartilhar esse conto. Para esse projeto, esse conto recebeu todo o amor e carinho que alguém pode ter na hora de montar uma história. Impecavelmente revisado e comentado pelos idealizadores do projeto, Sigiloso & Discreto foi meu primeiro conto “profissional”.

Ser reconhecido é sem dúvidas o melhor incentivo para qualquer artista. Sabemos que no Brasil a arte não é valorizada como deveria. Uma tristeza que já aprendi a lidar. Quando fui convidado para participar desse projeto, Sigiloso & Discreto era apenas um embrião em formato de documento do Word. A pedra bruta estava lá, mas foi lapidada até ficar do jeitinho que está.

Pensei que dele eu conseguiria arrancar uma conversa antes ou depois, ou antes e depois. Pensei que aquele olhar perdido pudesse encontrar algo, ou que aqueles traços leves pudessem me contar uma história. Ele era realmente um homem muito bonito.

Sigiloso & Discreto.

Vez ou outra eu mudo algumas coisas, aliso, faço um carinho. É impossível não alterar nada depois de meses e meses lendo esporadicamente. Mantenho uma versão “original” depois de revisada para ser publicada no site do projeto apenas por garantia, caso eu acabe mexendo demais no coitadinho.

Links da publicação

Sigiloso & Discreto está disponível no E-book Contos do isolamento!

Link para o quintal: https://www.quintahistoria.com.br/quintal-dos-autores

Contos do isolamento

Destaque

Por onde andei?

Este pequnito blog andou abandonado por muito tempo, é verdade. Ainda que ele esteja entregue às traças e em cada canto haja teias de aranha, nunca o esqueci. Acho que a inconstância é minha maior maldição. Certamente durante meus raros momentos de intensa criatividade e inspiração surgem inúmeros projetos a serem escritos. Mas agora as coisas talvez sejam um pouco diferentes. Assim espero, pelo menos.

A conversa sincera entre este que escreve e você aí que lê sempre ocorreu. Embora eu não saiba quem são as poucas pessoas que perdem tempo com minhas investidas artísticas, eu sou muito grato. Não ser um profissional implica que eu não devo corresponder demandas, ainda que isso possa ser decepcionante para qualquer um que se dispõe a acompanhar um blog ou qualquer outro canal de conteúdo virtual. Mas para esse problema, acho que encontrei uma solução.

E-book

É com grande satisfação que anuncio a criação do meu pequeno E-book intitulado “Contos do isolamento“. É um pequeno projeto de teste, digamos assim, para eu ver como é ser um autor independente usando a plataforma Kindle Direct Publishing, da Amazon, que permite a criação e publicação de E-books sem custos de, inclusive, livros físicos. Não vou entrar aqui no mérito da plataforma e seus rendimentos, já que incialmente não pretendo adquirir grandes lucros com os E-books.

Mas eis o que pretendo fazer. Contos do isolamento é uma reunião de cinco pequenos contos que eu escrevi e cultivei durante o período em que estive de isolamento no início da pandemia do novo coronavírus. Somente este mês me senti preparado para expor meus textinhos assim dessa maneira tão dramaticamente pública. O preço do E-book ficou em onze reais, infelizmente caríssimo levando em consideração sua extensão: 11 páginas. Mas esse detalhe não foi decisão minha. Ele também ficará disponível para os usuários do Kindle Unlimited por bastante tempo, assim, ao menos, ele sai de graça para uma grande quantidade de pessoas.

Junto com Contos do isolamento, pretendo fomentar este blog o mínimo que conseguir. Jamais serei capaz de prometer o máximo, pelo menos não por enquanto. Escrever sempre me ajudou a manter a cabeça no lugar, seja no caderno, seja na internet. Minha grande vontade é trocar ideias com qualquer pessoa que se disponha a ler os contos, por isso vou deixar aqui minha conta no Instagram, onde esperarei ansioso qualquer um, ou uma, que tenha vontade em expressar o que sentiu a ler um conto meu.

Links da publicação

User: @edcezzzzar

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