Hoje não sentei do lado do ônibus que dá pra ver a Lua. Apenas a vejo quando o ônibus faz o contorno de um trevo ou quando vai um pouco pro lado. Ela está bem em cima de nós, não dá pra ver. Do lado de lá também é assim durante o percurso, mas quando estamos chegando eu consigo enxergá-la, porque o ônibus faz uma curva. A Lua é o sinal de que estamos chegando em casa. Hoje eu não a verei. Tudo que vejo daqui são luzes, das casas, de uma fábrica. Tudo que passa pela minha cabeça são meus textos, que nunca sei se são uma crônica ou um conto, vai ver é por isso que não são bons. Hoje eu não verei a Lua. Se eu colocar a cabeça um pouco pro lado consigo avistá-la, mas é incômodo, sabe, ficar com a cabeça assim pro lado. Machuca. É como tentar olhar pro lado pra não te ver, é incômodo, mas necessário. A Lua está bem fininha, minguante eu imagino que seja. Mas minguante está mesmo é meu carinho por ti, que se vai, vai indo, aos poucos ele se some. Se consome. Eu vou seguir aqui, quem sabe eu coloco meus fones de ouvido para escutar um pouco de Beethoven, acho que Moonlight Sonata cai bem agora. Quem sabe eu durma. Já que não verei a Lua hoje não preciso esperá-la para chegar em casa.